Em 17 de outubro de 1917, o jornal soviético Selskaya Jizu (A Vida Rural)
noticiou que uma traineira, ao largo da Criméia,
fora cercada por golfinhos que, de maneira bem compreensível
pelas suas evoluções na água e pelos seus assobios,
a levaram a dirigir-se para uma bóia de sinalização.
Chegados ao lugar indicado, os pescadores viram
que a água em volta da bóia estava anormalmente agitada.
Puxaram uma rede que haviam lançado ao mar e nela
descobriram um golfinho-bebê que nela ficara preso.
Quando o pequeno animal foi libertado,
os seus semelhantes soltaram gritos que pareciam
exclamações de alegria, depois do que seguiram
a traineira até a costa, à maneira de agradecimento.
Extremamente afetuoso, o golfinho deixa-se morrer
de desgosto quando sua companheira morre, mas,
na altura das núpcias, manifesta o seu contentamento
exatamente como faria um ser humano.
O escafandrista Christos Mavrothalassitis
pode assistir no Mediterrâneo a um casamento em que o
casal evolucionou no meio de duas filas de golfinhos
que soltavam exclamações -- autênticos berros --
para exprimir sua alegria.
Este simpático e meigo cetáceo tem contudo um
inimigo hereditário: o tubarão, o qual ele não receia atacar
e vence sempre.
O tubarão é um hábil nadador, mas sua velocidade é de longe
à do golfinho e, além disso, ele é obrigado a
voltar-se sobre si mesmo para poder atacar com a boca,
a sua arma de ataque situada sob o focinho.
Os golfinhos não desconhecem este fato e,
seguros de sua superioridade tática,
atacam em fila indiana, avançando com velocidade vertiginosa,
sobre o tubarão, que acabam por fugir desesperadamente
ao cabo de seus ataques repetidos.
Robert Charroux (1909-1978) arqueólogo francês
LE LIVRE DES MYSTERIEUX INCONNU, 1969 pag. 224

Nenhum comentário:
Postar um comentário