quinta-feira, 13 de maio de 2010

HORROR NA FRANÇA - SÉCULO XV

Depois de descrever A Dança da Morte, um dos temas preferidos
da arte do final do período medieval,
na qual esqueletos dançam com homens vivos,
prossegue e fala sobre o Cemitério dos Inocentes, em Paris,
onde habitantes passeavam em busca de prazer:
"Crânios e ossos empilhavam-se em capelas mortuárias,
ao longo dos claustros, delimitando o terreno por tres lados,
e lá jaziam expostos aos olhos de milhares,
pregando a todos a lição de igualdade.
..........................................................
Sob os claustros, a dança da morte exibia suas imagens
e suas estrofes.
Nenhum lugar era mais adequado à figura símia da morte sorridente,
arrastando consigo papas e imperadores, monges e tolos.
O duque de Berry, que desejava ser enterrado alí,
mandou entalhar a história dos tres mortos e
dos tres vivos no portal da Igreja.
Um século depois, essa exposição de simbolos fúnebres
foi completada por uma grande estátua da Morte.
(agora no Louvre, e é a única coisa que restou de tudo isso).
Tal era o lugar que os parisienses do século XV frequentavam
como uma lúgubre contraparte do Palais Royal de 1789.
Dia após dia, multidões de pessoas caminhavam por
sob os claustros, olhando para as figuras e lendo
os versos simples que as lembravam do fim que se
aproximava.
Apesar dos enterros e das exumações incessantes
que ali ocorriam, era um local de descanso
e de encontro público.
Lojas foram abertas em frente às capelas mortuárias,
e prostitutas passeavam sob os claustros.
Uma mulher reclusa foi emparedada em um dos lados da Igreja.
Frades iam até ali para rezar,
e procissões eram atraídas até lá.
................................................................
Até mesmo banquetes se realizavam.
Tal era o grau que o horrível havia se tornado familiar."

Johan Huizinga (1872-1945) historiador holandês
Trecho do livro "O Outono da Idade Média." (1919)

Nenhum comentário:

Postar um comentário