terça-feira, 20 de julho de 2010

Em algum remoto rincão do universo
cintilante que se derrama em um
sem-número de sistemas solares,
havia uma vez um astro em que
animais inteligentes
inventaram o conhecimento.

Foi o minuto mais soberbo e mais
mentiroso da "história universal":
mas também foi só um minuto.

Passados poucos fôlegos da natureza
congelou-se o astro,
e os animais inteligentes tiveram que morrer.

-Assim poderia alguém inventar uma fábula
e nem por isso teria ilustrado
suficientemente quão lamentável,
quão fantasmagórico e fugaz,
quão sem finalidade e gratuito
fica o intelecto humano dentro
da natureza.

Houve eternidades que ele não estava;
quando de novo ele tiver passado,
nada terá acontecido.
Ao contrário, ele é humano,
e somente seu possuidor e genitor
o toma tão patéticamente,
como se os gonzos do mundo
girassem nele.
Mas se pudéssemos entender-nos com
a mosca,perceberíamos então
que também ela bóia no ar
com esse páthos e sente em si
o centro voante deste mundo.

Friedrich NIETZSCHE (1844-1900) Filósofo alemão
"Sobre a verdade e a mentira no sentido extramoral"
IN OBRAS iNCOMPLETAS
Tradução Rubens Rodrigues Torres Filho
São Paulo 1974, pag 53

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