sábado, 17 de julho de 2010

A ILUSÃO

"Quando digo que todas essas coisas são ilusões,
devo definir o significado da palavra.
Uma ilusão é a mesma coisa que um erro;
tampouco é necessáriamente um erro.
A crença de Aristóteles de que os insetos se
desenvolvem no esterco
(crença que as pessoas ignorantes ainda se aferram)
era um erro; assim como a crença de uma
geração anterior de médicos de que a
tabes dorsalis resulta de excessos sexuais. 

Seria incorreto chamar esses erros de ilusões.
Por outro lado, foi uma ilusão de Colombo
acreditar que descobriu um novo caminho
marítimo para as Indias.
O papel desempenhado por seu desejo
nesse erro é bastante claro.

O que é característico das ilusões é o fato
de derivarem de desejos humanos.
com respeito a isso,
aproximam-se dos delírios psiquiátricos,
mas deles diferem também,
mesmo sem considerar a estrutura mais
complicada dos delírios.
No caso destes, enfatizamos como essencial
o fato de eles se acharem em contradição
com a realidade.
As ilusões não precisam ser necessariamente falsas,
ou seja, irrealizáveis ou em contradição
com a realidade.

Por exemplo: uma moça de classe média pode
ter a ilusão de que um príncipe aparecerá
e se casará com ela.
Isso é possível, e certos casos assim já ocorreram.
Que o Messias chegue e funde uma idade de ouro
é muito menos provável.
Classificar essa crença como ilusão ou algo
análogo ao delírio dependerá da atitude
pessoal de cada um.

Portanto, podemos chamar uma crença de ilusão
quando uma realização de desejo constitui fator
proeminente em sua motivação e, assim sendo,
desprezamos as suas relações com a realidade,
tal como a própria ilusão
não dá maior importância à verificação."

Sigmund Freud (1856-1939)
Psiquiatra austriaco, funador da Psicanálise
Eduardo Gianneti (1957-    ) O livro das citações

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