"'Para as rosas, escreveu alguém,
o jardineiro é eterno'.
E que melhor maneira de ferir o eterno
que mofar das suas iras ?
Eu passo, tu ficas;
mas eu não fiz mais que florir e aromar,
servi a donas e a donzelas,
fui letra de amor,
ornei a botoeira dos homens,
ou expiro no próprio arbusto,
e todas as mãos,
e todos os olhos
me trataram e me viram com
admiração e afeto.
Tu não, ó eterno;
tu zangas-te,
tu padeces,
tu choras,
tu afliges-te !
a tua eternidade não vale
um só dos meus minutos."
Machado de Assis (1839-1908)
Quincas Borba, CXVI

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