Quando estudavamos no Colégio Paranaense
dos Irmãos Maristas, em 1960, gostávamos de
usar um maravilhoso bosque cheio de cedros
centenários, para estudar em voz alta.
Naquela época nos seduziu o livro
"A Velhice do Padre Eterno" de
Guerra Junqueiro.
E no bosque centenário ecoavam os versos
anti-clericais do Guerra.
Nas aulas havia o costume de dois alunos
fazerem jograis, e assim poder, perante os
colegas, mostrar as preferencias literárias.
Um dia chegou a nossa vez !!
Começamos a ler alternadamente os versos
onde Judas se arrepende de ter traído
Jesus, e desesperado passa a corda
por uma figueira, e prepara para enforcar-se.
Nós dois falando os versos em voz alta.
Deus aproxima-se e diz:
Paulo: Não faça isto Judas, eu te perdoo.
Todesca: O que você me perdoar ?
Paulo: Perdoar a quem cometeu o infame
crime de vender um amigo por trinta dinheiros ?
Todesca: Um justo não perdoa !!
E eu vou mostrar para você, Deus, que
eu, Judas Escariotes,o traidor, sou mais justo do que tu.
Paulo : E enforcou-se !!!
O silêncio que se seguiu a seguir foi fúnebre.
Mais tarde fomos convidados a ir à sala do
Irmão Reitor, onde depois de uma boa
ensaboada, fomos convidados a não mais
aparecer no Colégio.
A partir desse dia nunca mais vi o Paulo,
-encontrei-o em 1988 na Secretaria de Cultura,
e junto com a Berenice Mendes fomos
fazer uma viagem até a legendária Lapa.
Mas, sinto saudades dos tempos em que
convivi com a mente brilhante e lúcida,
do grande poeta paranaense.


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