sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Leminski e Todesca foram expulsos !!

Quando estudavamos no Colégio Paranaense
dos Irmãos Maristas, em 1960, gostávamos de
usar um maravilhoso bosque cheio de cedros
centenários, para estudar em voz alta.
Naquela época nos seduziu o livro
"A Velhice do Padre Eterno" de
Guerra Junqueiro.
E no bosque centenário ecoavam os versos
anti-clericais do Guerra.
Nas aulas havia o costume de dois alunos
fazerem jograis, e assim poder, perante os
colegas, mostrar as preferencias literárias.
Um dia chegou a nossa vez !!
Começamos a ler alternadamente os versos
onde Judas se arrepende de ter traído
Jesus, e desesperado passa a corda
por uma figueira, e prepara para enforcar-se.
Nós dois falando os versos em voz alta.
Deus aproxima-se e diz:
Paulo: Não faça isto Judas, eu te perdoo.
Todesca: O que você me perdoar ?
Paulo: Perdoar a quem cometeu o infame
crime de vender um amigo por trinta dinheiros ?
Todesca: Um justo não perdoa !!
E eu vou mostrar para você, Deus, que
eu, Judas Escariotes,o traidor, sou mais justo do que tu.
Paulo : E enforcou-se !!!
O silêncio que se seguiu a seguir foi fúnebre.
Mais tarde fomos convidados a ir à sala do
Irmão Reitor, onde depois de uma boa
ensaboada, fomos convidados a não mais
aparecer no Colégio.
A partir desse dia nunca mais vi o Paulo,
-encontrei-o em 1988 na Secretaria de Cultura,
e junto com a Berenice Mendes fomos
fazer uma viagem até a legendária Lapa.
Mas, sinto saudades dos tempos em que
convivi com a mente brilhante e lúcida,
do grande poeta paranaense.

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