quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

NEL MEZZO DEL CAMMIM

"Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
a alma de sonhos povoada eu tinha...
E paramos de súbito na estrada
da vida: longos anos, presa à minha
a tua mão a vista deslumbrada
ive da luz que teu olhar continha.
Hoje segues de novo...Na partida
em o pranto os teus olhos umedece,
nem te comove a dor da despedida.
E eu solitário, volto a face e tremo,
vendo o teu vulto que desaparece
na extrema curva do caminho extremo."

OLAVO BILAC (1865-1918)
Poeta parnasiano brasileiro


Paródia
Amore co amore si paga:

"P'ra migna anamurada
Xiguê, xigaste ! Tu vigna afatigada i triste
i triste e afatigado io vigna;
tu tigna a arma povolada di sogno,
a arma povolada di sogno io tigna.
Ti amê, m'amasti. Bunitigno io era
i tu tambê era bunitigna,
tu tigna una garigna di fera
e io di fera tigna una garigna.
Una veiz ti begiê a linda mô
i a migna tambê vucê begió.
Vucê me apiso nu pé, e io no pisé no da signora.
Moltos abraccio mi deu vucê,
moltos abraccio io tambê ti dê,
U fora vucê mi deu, e io tambê ti dê u fora."

JUÓ BENAMARE (1892-1933) Poeta e cronista brasileiro
Escreveu em várias revistas no estilo macarrônico, que misturava
o italiano e o português

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