quarta-feira, 19 de maio de 2010

AS TORTURAS NA INQUISIÇÃO

Para cenário das torturas da inquisição escolhemos, a título
de demonstração, a prisão de Anvers:
o Steen, de sinistra memória.
Esta prisão construída no século XI, servia de guarida aos
monges da inquisição.
O próprio nome desta fortaleza (Steen=Pedra) havia transposto
os limites nacionais para ser sinônimo de horror e de
suplícios sem nome  na Europa cristã; este quadro privilegiado
fora escolhido pelo tribunal da Inquisição para a instalação do
seu trabalho...e de seus cavaletes.
Uma especialidade destes carrascos era "a cisterna",
cujo funcionamento explicamos a seguir:
"Sua destinação era a seguinte - o condenado era aí encerrado.
Em seguida vertia-se água por meio de um cano que
atravessava o seu tampo.
A água subia inicialmente até a altura do queixo do paciente;
é aqui que se mostra o refinamento mais cruel usado
pelos inquisidores na aplicação dos suplícios.
A água continua a cair do tampo....O nível atinge a boca,
vai cortar a  respiração....A vítima lança um grito de desespero....
ela se agarra à parede, suas unhas escorregam...
Aterrada, ela agarra instintivamente, como um náufrago,
o primeiro objeto que se acha ao seu alcance...
É o braço de uma bomba, que ela puxa, empurra e torna
a puxar convulsivamente.
essa bomba lança ao exterior exatamente a mesma
quantidade de água que é lançada internamente
pelo cano do tampo.
O nível de água abaixa um pouco...
O infeliz se julga salvo !
Ai ! ele não sabe que esse ferro foi colocado alí
apenas para prolongar sua agonia...
E é obrigado a manobrar ininterruptamente o braço da bomba,
para conservar a água no mesmo nível.
Ora, suas forças logo se esgotam,
seus músculos se distendem,
seus braços fatigados deixam o ferro,
a água torna a subir, sobe sempre,
a cisterna se enche até o tampo...
Horrível !..."
A tarefa do historiador é pesada,
sua responsabilidae é grande,
tendo-se em vista as paixões que ele não deixará de atiçar:
o tempo e o esquecimento não são álibis privilegiados ?

Relatado por Frans Eugene Bolsaie (1822-  ?)
Le Steen d'Anvers. Lebègue e Cie.,Bruxelas 1888.

Nenhum comentário:

Postar um comentário